Pornografia Realista

As mujeres que gostam de pornografia já tem bastante a comemorar. Se esforçando um pouquinho dá para encontrar mais do que uma mão cheia (foi inevitável) de vídeos pornôs lésbicos que não incluem uma mulher com unhas compridas e cara de que está esperando um pau roubar a cena a qualquer momento. Demorou, mas finalmente descobriram que mulheres também gostam de pornografia e em menos de 5 anos o número de produtoras feministas triplicou. Não vou exagerar e dizer que o pornô tradicional está com os dias contados; ainda tem muita gente que gosta de ver a cena da médica gostosa que tira a roupa durante a consulta, mas a busca por algo menos fantasia e mais vida real está aumentando.

O MakeLoveNotPorn ainda está na versão beta, mas já passou pelo combo publicitário livro + TED (e uma ótima assessoria de imprensa) que fez o site ser citado por toda parte, desde colunas do The Guardian até chegar no site da TPM. A idéia/missão do portal é muito boa. E apesar do nome, está longe de ser um manifesto antipornografia.  Cindy Gallop, criadora do projeto, deixa bem claro que ama pornografia, ama sexo, mas quer fazer com que as pessoas entendam que são coisas diferentes uma da outra. #realworldsex (falei que a publicidade era boa) é o mote de todos os vídeos.

O site é uma mistura de vídeos educativos — sim, tem sexo explícito neles — com vídeos de casais um pouco mais exibicionistas que na nossa #vidareal, mas ainda assim, bem mais perto da realidade do que a maioria dos filmes pornôs. Qualquer um pode subir um vídeo no site, e cada vez que alguém “aluga” um vídeo seu, você ganha 50% do lucro. Ou seja, dá pra encontrar desde casais lésbicos te ensinando como ter prazer fazendo sexo anal até vídeos de qualidade duvidosa mostrando uma trepada na beira da piscina.

Apesar de mais divulgado, o MLNP não foi o primeiro e nem é o único a acreditar que um orgasmo verdadeiro, com gente de verdade, dá mais tesão. O I Feel Myself existe desde 2003 e é um pouco mais objetivo — mostrar pessoas se masturbando e gozando de verdade. Alguns vídeos são filmados em HD em casa ou em um estúdio, onde uma câmera é colocada no teto para a pessoa se sentir mais à vontade. Sem aquela vibe chatroulette e nada encenado. Apesar de não ser o foco, o site também mostra alguns vídeos de sexo (lésbico) bem vida real –  vergonha da câmera, risadas e comentários sobre como a calcinha da amiga é grande demais. O site é pago, mas dá para encontrar alguns vídeos naqueles sites que vocês já conhecem.

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Na mesma linha do IFM, o Beautiful Agony também é a favor de orgasmos de verdade, só que por um ângulo diferente. Os vídeos mostram homens, mulheres, casais gays e lésbicos se masturbando mas tudo que você consegue ver é o rosto das pessoas.

 

Difícil fingir assim, né?

A de amor, B de

Muito antes de uma ex-atriz pornô cantar A de amor e B de baixinho o alfabeto e a pornografia já estavam transando. Culpem — ou agradeçam — os romanos, gregos e toda aquela putaria socialmente aceita, ou o Kama Sutra e a facilidade em transformar qualquer posição sexual em uma letra, mas não se sabe muito bem de onde essa obsessão tipográfica surgiu de fato.

A França, claro, foi uma das pioneiras no abc do amour. O alfabeto foi criado por Joseph Apoux no fim do século XIX, época em que o país estava bem acostumado à ver imagens sexuais estampando exposições de arte. Não que isso tenha mudado em alguns séculos.

Para a nossa felicidade (e procrastinação), já criaram até um ‘Erotic Alphabet Image Generator‘.

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Quer mais uma prova de que os comunistas transam melhor? Esse alfabeto erótico foi criado em 1931 por  Sergei Merkurov, artista conhecido por suas grandiosas esculturas de Stalin — as 3 maiores da URSS foram feitas por ele. As ilustrações foram criadas como uma forma de propaganda para rebater as piadas que diziam que “não existe sexo na URSS”.

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Pena que hoje em dia boa parte das letras teria sido classificada como apologia à homossexualidade — essa droga que mata tantas pessoas diariamente, sabe? — e retirada do alfabeto. Dá pra ver todas as letras aqui.

No mesmo ano, Salvador Dalí também deu sua contribuição. Gala foi sua esposa e musa por muitos anos. Paul era seu amigo, que também já foi casado com Gala. Ah, os artistas.

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Algumas décadas depois, a designer francesa Malika Favre se inspirou em tudo isso e mostrou sua visão moderninha do alfabeto erótico. Um deles foi lançado em um livro pela Penguin, e a versão lésbica — bem menos erótica que a original, infelizmente — foi encomendada pela revista Wallpaper. Malika já é reconhecida pela inspiração sexual de suas ilustrações e por trabalhar muito bem o branco/negativo em seus vetores. Dá pra gastar um bom tempo em seu site, cheio de gifs e animações divertidas.

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O designer/editor/curador/pesquisador holandês Max Bruinsma publicou aqui algumas imagens do livro Sex Appeal: the Art of Allure in Graphic and Advertising Design do Steven Heller, pra quem se interessar pelo tema.

The Year of the Bush

Você acha que tem amigos super liberais, quiçá libertinos, até mostrar pra eles a foto de uma buceta peluda. The Horror! Nunca entenderei.

Não sei bem quando se tornou aceitável deixar a sociedade/mídia/mercado/namorado decidir o que você deve fazer com seus pêlos pubianos, mas tenho certeza que tem muita mulher por aí xingando o nosso país diariamente por ter inventado a famosa brazilian wax.

Não vou entrar a fundo na discussão, já tem bastante blog feminista fazendo isso mil vezes melhor do que eu poderia fazer. Mas companheiras, tenho algo pra jogar na cara falar para vocês: a tão temida pepita peluda está em alta.

Se ela ainda não começou a aparecer na timeline do seu tumblr, tenho algumas provas pra confirmar a tendência.

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Parte do projeto “Bringing back the bush” da fotógrafa Megan K Eagles. Não pegava?

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Linha, agulha e peitinhos

Agora que todas as mulheres desse lindo Brasil já aprenderam como ser hipster e fazer parte da turma mais cool da década (sim, tô falando de você Glamour), também já devem saber que as artes manuais estão na moda. Na verdade nunca saíram de moda, foi só a faixa etária que mudou e com ela, novas inspirações surgiram. Lá fora esse grupo já tem até nome: Crafsters. Coisa de americano né, o paraíso do scrapbook.

Crafsters assumidos (serião), Meghan Willis e seu marido, o fotógrafo Aaron Tsuro, tem uma atividade em comum : observar e registrar as curvas femininas. Ele com uma máquina na mão e ela com linha, agulha e alguns tecidos. Invejou?

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